A Teoria Pixar

Por Douglas Lucena e Luiz Gustavo 



Carros 3, o mais novo filme da Pixar, estreia nesta quinta-feira (13). Dessa vez o enredo traz novos problemas para Relâmpago McQueen, que se vê desafiado pela nova geração de carros muito mais velozes que ele e seus companheiros.

É aproveitando esse hype que o Caderneta Nerd decidiu explicar uma das grandes teorias que percorre a internet: A Teoria Pixar. Criada pelo escritor estadunidense Jon Negroni, a teoria liga todos os filmes da Pixar, sugerindo que todos eles se passam num mesmo universo, porém em épocas distintas. Ou seja, todos os filmes da Pixar contam, juntos, uma só grande história.


Mas por onde começar? Bom, seguindo uma linha do tempo cronológica, temos no início de tudo o filme O Bom Dinossauro. Nele é apresentado o conceito de que animais pensantes vivem com humanos e isso é um detalhe importante para a teoria. Guarde-o. Enfim, o longa não segue a história da vida real: nele, o meteoro que extinguiu a vida dos gigantes animais pré-históricos nunca atingiu a terra e, por isso, humanos e dinossauros conviveram uns com os outros. Mas como os humanos sobreviveram até hoje e os dinossauros não? A resposta é: o clima. Em O Bom Dinossauro vemos que o clima muda constantemente, com diversas inundações repentinas. Como, teoricamente, os humanos são mais inteligentes, conseguiram se adaptar melhor ao ambiente e sobreviver.



O próximo filme da lista é Valente. No filme Valente, a protagonista Merida toma conhecimento de uma magia que pode resolver todos os seus problemas, porém a princesa inadvertidamente transforma sua própria mãe em um urso. Depois de um tempo, descobrimos que ela conseguiu tal magia com uma bruxa que vivia na floresta. E é aqui que as coisas ficam interessantes. Primeiro, em Valente, a bruxa some quando as portas se fecham atrás dela, funcionando como uma espécie de portais. Guarde essa informação.  Segundo, no longa, vemos que a magia dessa bruxa faz com que objetos e animais se comportem como humanos.

A bruxa de Valente esculpindo em madeira o carro do Pizza Planet. Mas como, se ela nunca viu um?
 A teoria aqui é que ao longo dos anos, tais animais e objetos enfeitiçados foram se multiplicando e evoluindo. Assim, foi dada início a uma luta de poder entre humanos vs. animais vs. máquinas. Tal conflito de animais pode ser observado nos filmes Procurando Nemo, Up! - Altas Aventuras e Ratatouille.


Em Ratatouille, os animais começam a evoluir. Temos Remy, um simpático rato que sonha em ser cozinheiro e, para isso, controla um humano chamado Alfredo Linguini para conseguir realizar seu sonho. Claro, além de lavar as mãos antes de cozinhar, andar nas duas patas traseiras como um humano, dentre outras coisas. No filme, Remy também faz um inimigo: o Chefe Skinner. Skinner descobre que os animais estão ficando inteligentes quando toma conhecimento que era Remy quem cozinhava controlando o Alfredo.

Chegamos, então, a outro ponto da teoria. O que o Skinner fez com essa informação?

Charles Muntz, o vilão de Up! - Altas Aventuras, de alguma maneira tomou conhecimento dessa informação e isso o levou a desenvolver as coleiras que traduzem os pensamentos dos cachorros no filme. Vale lembrar que no final do longa, com a morte do Muntz, os cachorros inteligentes ficam livres pelo mundo.

“Esquilo?!” Dug, de Up! Altas Aventuras usando sua coleira tradutora
A partir daqui, os humanos já sabem da existência dos animais racionais. Parafraseando Star Wars, sabemos que o medo leva a raiva, e a raiva leva ao ódio. Animais inteligentes são uma ameaça para os humanos, e devido a esse atrito entre os dois, somos levados a Revolução Industrial em Up! - Altas Aventuras.

No longa, vemos que Carl Fredericksen é forçado a abandonar sua casa por causa da expansão de uma empresa chamada BnL (Buy-n-Large). Tal empresa é a responsável por toda a evolução tecnológica no mundo e também por toda a poluição do mesmo, como visto no filme Wall-E. Entraremos em detalhes mais a frente.


Em Procurando Nemo, os vilões são os humanos: poluem o mar e sequestram os peixes (no caso do Nemo e dos outros que ele conhece no aquário do dentista). Isso leva a união de vários animais para salvar o pobre filho de peixe-palhaço. Um ponto importante é que aqui os animais já estão muito mais evoluídos: os peixes vivem em sociedade, seguem leis de trânsito e possuem até escolas.



Mergulhador, no momento exato em que captura Nemo
 Certo. Temos até aqui a parte dos humanos vs. animais. Mas quando começa a parte das máquinas?


No filme Os Incríveis, temos o vilão Síndrome, que criou um robô especialmente para matar outros super-heróis e conseguir chegar até o Sr. Incrível. No final do longa, o omnidroid volta-se contra o seu criador. Com isso, podemos afirmar que desde o começo, o robô estava apenas usando o Síndrome de marionete. Ele chega até a atacar algumas pessoas inocentes pela cidade. Na animação, ainda temos uma cena onde vemos vários super-heróis morrendo por causa de “acidentes” com suas capas.

Tudo bem, entendemos que os animais têm ódio dos humanos por causa de toda a poluição e dos maus tratos com eles. Mas por que todo esse ódio dos objetos inanimados e das máquinas pela população da Terra? A resposta está em Toy Story.

Em Toy Story, as crianças brincam com seus brinquedos, inventam e imaginam histórias com eles, crescem e quando não precisam mais deles... os jogam fora. Note que nos três filmes da franquia temos uma revolução de brinquedos. Em Toy Story, os personagens se levantam contra Sid, o garoto que gosta de fazer experimentos e explodir seus brinquedos. Em Toy Story 2, temos Jessie, que desde que foi abandonada por sua antiga dona, Emily, não quer mais saber de humanos. E em Toy Story 3, temos o Lotso, que se revolta contra os humanos após ser substituído por uma versão dele mais nova. É também em Toy Story que descobrimos que os humanos, de alguma forma, servem como energia para as máquinas e objetos inanimados: quando guardados durante muito tempo, os brinquedos perdem a vida, a menos que estejam em um museu e sejam vistos pelos humanos.

Motivos de sobra para máquinas e animais unirem forças contra os humanos, né? Mas não é o que acontece. As máquinas ainda precisam dos humanos para sobreviverem, logo elas se aliam aos humanos na guerra. Agora que não existem mais animais (exceto, talvez, por alguns insetos), o planeta é tomado completamente pela tecnologia. As máquinas agora controlam tudo, inclusive o governo, através da empresa BnL. Porém, devido à alta poluição no planeta, os humanos são forçados a viver no espaço, o que nos leva ao filme Wall-E.


Tecnologia BNL presente nas baterias do Buzz Lightyear


O símbolo da BNL estampado em todos os lugares da cidade, na Terra inabitada do filme Wall-E
Em Wall-E, os humanos vivem numa espaçonave chamada Axiom, bem longe da Terra. Essa espaçonave é controlada por um robô, e nela os humanos são totalmente dependentes das máquinas (até para andar!). Ironicamente, aqui temos as máquinas controlando os humanos assim como os humanos faziam com os brinquedos.


Então, o que sobrou na Terra? Apenas máquinas. E é aqui que entram os filmes da franquia Carros. Com cidades praticamente iguais as nossas, os filmes de Carros apresentam automóveis, trens e até aviões que se comportam como humanos, vivendo em sociedade assim como os humanos. Tudo isso porque conviveram demais com eles e pegaram os costumes.

Em Carros 2, tomamos conhecimento de que existe uma crise de energia, com o petróleo sendo a principal fonte. Descobrimos também que existe uma corporação chamada Allinol que está usando “energia verde” como um catalisador de combustível para afastar os carros de formas alternativas de energia. Esse combustível “limpo” poderia ter sido utilizado para exterminar rapidamente muitos dos carros.

A poluição só aumenta a cada dia que passa e também a crise de energia, até chegar num ponto onde sobra somente um robô: o Wall-E. Mas por que ficou somente o Wall-E? Lembra quando dissemos que os humanos são fontes de energia? Então, especula-se que o Wall-E foi o único sobrevivente porque era a máquina que mais tinha “humanidade”: ele assistia TV, ouvia música e tinha até um amigo ser vivo, uma barata.

No fim do filme, os humanos voltam para a Terra com a última planta viva, dentro de uma bota. Após os créditos de Wall-E, podemos notar que a planta cresceu e se tornou uma bela árvore. E essa árvore seria a grande árvore de Vida de Inseto.

Imagem que aparece nos créditos finais de Wall-E


Árvore do filme Vida de Inseto
Em Vida de Inseto, temos insetos bastante evoluídos como sociedade. Eles construíram casas, bares, vivem em cidades e agem como humanos. Por que não vemos humanos em Vida de Inseto? Porque eles ainda são poucos. Dos que voltaram da Axiom pra Terra em Wall-E, eles se reproduzem mais devagar do que os insetos.

Logo após Vida de Inseto, dando um enorme salto a frente no tempo, temos Monstros S.A. Mas de onde os monstros surgiram? Bom, a teoria é que eles são humanos e animais que sofreram mutações devido a radiação provinda da poluição do passado. Ou seja, temos um planeta Terra milhares de anos no futuro, somente com monstros inteligentes.

Porém, como todo futuro pós-apocalíptico, a sociedade dos monstros vive uma crise de energia. Para conseguir energia, os monstros atravessam portas para o mundo dos humanos e retiram energia de lá. Agora a surpresa: as portas não levam à outra dimensão, levam ao passado. Ou seja, os monstros, através das portas, voltam ao passado quando ainda eram humanos, e retiram energia de lá.


Uma personagem-chave para essa teoria é a Boo. Boo foi a primeira e única humana a visitar os monstros e fazer amizade com um deles, o Sulley. A teoria diz que Boo, após ser trazida de volta para casa, passou anos tentando encontrar uma maneira de visitar mais uma vez seu melhor amigo. Foi assim que ela se tornou a bruxa de Valente.


Imagem do Sulley talhada na madeira da cabana da bruxa, em Valente. Mais uma prova para corroborar com a teoria
Boo descobre uma maneira de viajar no tempo e, por isso, volta à época do filme Valente, pois foi lá que tudo isso teve início. Com a magia, ela tenta construir uma porta que a leve de volta ao Sulley, por isso que a porta da cabana no longa sempre a leva a um lugar diferente.


No fim, é isso que une todos os filmes da Pixar: o amor de Boo pelo Sulley. Um amor puro que independe de raça, cor, idade e até mesmo espécie.



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