Homem-Aranha no cinema: a queda e ascensão do Amigão da Vizinhança

Por Leonardo Figueiredo


Há quem ainda lembre a idade das trevas que os heróis enfrentaram no cinema. As terríveis adaptações feitas na década de 1990 foram suficientes para produtores e estúdios decidirem desistir do gênero. O público havia perdido o interesse e o risco não valia mais a pena. Eis que a luz surgiu em 2000 com o primeiro X-Men e ganhou mais respaldo em 2002, com Homem-Aranha. E hoje os filmes de herói alcançaram o olimpo de um dos gêneros mais lucrativos de Hollywood.


Dirigido por Sam Raimi, Homem-Aranha arrancou críticas positivas em vários países. A jornada dramática de Peter Parker, na época interpretado por Tobey Maguire, e sua luta contra o Duende Verde rendeu mais de 800 milhões mundialmente. Um recorde em todos os sentidos. E em 2004 chegou Homem-Aranha 2, que embora tenha arrecadado um pouco menos que o seu antecessor, é considerado até a atualidade um dos melhores filmes de herói já feitos.


As coisas andavam maravilhosas para o Amigão da Vizinhança e, consequentemente, para a Sony. A maneira como Homem-Aranha 2 foi encerrado prometia que algo épico estava por vir. E quando a Sony anunciou que Homem-Aranha 3 traria Venom como vilão central, a expectativa dos fãs atingiu o ápice. Porém, quanto mais alto é o voo, maior é a queda. 

Sam Raimi tinha seus próprios planos para Homem-Aranha 3, e o vilão Venom não estava incluído neles. Os produtores convenceram o diretor a acrescentar no roteiro não apenas o vilão, mas também a personagem Gwen Stacy como interesse amoroso de Peter. E apesar de ser o filme mais lucrativo da trilogia, é o mais confuso de todos; muitos personagens e subtramas explorados em um tempo insuficiente fizeram o roteiro recorrer a subterfúgios incoerentes e fracos. Resultado: Raimi tentou fazer um quarto filme, algo que desta vez fosse elogiável, no entanto, por diferenças criativas, ele se afastou do projeto e anos depois pediu desculpas aos fãs pelo que fez em Homem-Aranha 3


A Sony não podia deixar sua galinha dos ovos de ouro perecer e por isso optou pela drástica decisão de fazer um reboot. O astro escolhido para dar uma nova cara a Peter Parker foi Andrew Garfield, e em 2012 estreou O Espetacular Homem-Aranha. Para muitos, o filme foi uma escolha equivocada; além de ser inferior aos outros no quesito direção e roteiro, ele lembrava, em alguns aspectos, a versão de 2002. Para alguns produtores, o lucro sempre vai falar mais alto que a qualidade, e vendo que o reboot faturou bem, chegaram a cogitar uma quadrilogia e seguiram em frente para O Espetacular Homem-Aranha 2


A produção caiu no mesmo erro de Homem-Aranha 3, com roteiro pífio, três vilões toscos e subtramas desnecessárias, deixando os fãs insatisfeitos mais uma vez. Mas algo curioso aconteceu em seguida; em 2014 os computadores da Sony foram hackeados, levando a público que um possível acordo entre ela e a Marvel estava em andamento para o Cabeça de Teia entrar no universo cinematográfico da Marvel e ter sua primeira aparição em Capitão América: Guerra Civil. Que razões a Sony teria para fazer isso? Desespero, talvez? Provavelmente. O fato é que meses se passaram até que o anúncio oficial fosse feito, consolidando a parceria entre os estúdios e revelando que um novo ator seria escolhido para interpretar o herói aracnídeo.


Tom Holland foi o eleito para viver a terceira – e mais jovem – versão do personagem no cinema. Sua aparição em Guerra Civil, ainda que tenha sido pequena, serviu para perceber o talento do ator e constatar que ele encontrou uma sintonia com Peter Parker. E, de modo merecido, agora o Amigão da Vizinhança estreia seu primeiro filme solo na Casa das Ideias, tendo Tony Stark como seu mentor e o Abutre como seu novo inimigo. 


As críticas de Homem-Aranha: De Volta ao Lar são mais que positivas e possivelmente a Sony não recebe tantos elogios desde Homem-Aranha 2 de Sam Raimi, provando que para um dos heróis mais famosos do mundo não perder público e credibilidade, a parceria com a Marvel foi a melhor coisa a ser feita. E caso a bilheteria seja mais que o esperado, outros filmes provenientes desse acordo estarão por vir (Ele já foi confirmado em Vingadores: Guerra Infinita). 


O Homem-Aranha é um personagem bastante querido e hoje os nerds podem respirar aliviados ao saber que o personagem, enfim, retornou para boas mãos. Foi preciso alguns erros e reviravoltas, algumas escaladas e várias quedas, mas, ao que parece, o herói se reergueu. Hoje é dia de festa, pois o filho pródigo voltou para casa. 

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