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Planeta dos Macacos: A Guerra - Crítica

Por Leonardo Figueiredo


É admirável que hoje em dia algumas franquias ainda pensem no formato de trilogia como um bom suporte para desenvolver suas histórias. Enredos com princípio, meio e fim, que encerram um ciclo sem necessariamente deixar explícito que há mais por vir. Não é o caso de muitos dos filmes que se vê na atualidade, que buscam cada vez mais lucro nas continuações, mas Planeta dos Macacos não é uma obra qualquer.

A franquia foi reiniciada em 2011 e já era possível observar, apesar de ser apenas um filme de origem, todo o potencial que a história possuía. No primeiro contato que o público teve com César (Andy Serkis) foi visto que o macaco queria somente liberdade, longe da tirania dos humanos. No segundo filme, é visto um César líder, que conseguiu construir uma sociedade de primatas e sofre com a sórdida traição de Koba. Planeta dos Macacos: A Guerra surge para encerrar um ciclo e curiosamente não faz uma ponte com o filme original de 1968.


Depois de toda a confusão que Koba causou em O Confronto, um exército, comandado pelo Coronel interpretado por Woody Harrelson, iniciou uma caçada aos símios. César montou uma resistência na floresta a fim de se esconder dos humanos, porém nada dura para sempre e a cena de abertura, que por sinal é maravilhosa, já deixa isso claro. A partir daí o espectador acompanha a surpreendente transformação de César em sua busca por vingança, e é essa construção que movimenta a trama.   


Planeta dos Macacos: A Guerra é emocionante e fenomenal em vários sentidos. Matt Reeves, também diretor do anterior, dirige com autonomia e prazer, e sua competência é bastante notável nas cenas sentimentais e também nas batalhas (a câmera se movimenta com delicadeza em meio ao caos). A trilha sonora de Michael Giacchino é lânguida e grandiosa nos momentos necessários, transparecendo o clima épico e conclusivo que o filme carrega em seu cerne.


Embora tenha o nome “guerra” no título, Matt Reeves foi ousado ao investir em outros aspectos, pois o foco central é bem diferente do que se espera ver em um filme de ação. A emoção é o alicerce do primoroso roteiro e ela se divide em subtramas que não prejudicam a narrativa, e sim ajudam o público a se envolver mais profundamente com os personagens. É o caso de Macaco Mau e Nova, sendo o primeiro usado como alívio cômico em uma medida ponderada. O enredo também tem suporte nos relacionamentos e existe uma cena tocante em que os macacos demonstram sua lealdade para com César, transformando-o em uma figura quase bíblica. 


Diante de tantos elogios, não há como esquecer a computação gráfica. A franquia se superou de tal forma que em determinadas cenas parece que a produção usou macacos de verdade. No entanto, a atuação de Andy Serkis merece um destaque singular; ele conseguiu exprimir todo o drama que César vivenciou ao longo do filme e isso tudo não mais por captura de movimento, mas agora com a captura da performance completa do ator. O que está faltando para ele ser indicado ao Oscar?


Com Planeta dos Macacos: A Guerra, a franquia dos símios é forte candidata a entrar para o tão desejado olimpo das trilogias memoráveis e monumentais, assim como foi com O Poderoso Chefão, De Volta Para o Futuro, O Senhor dos Anéis e Batman – O Cavaleiro das Trevas. A jornada de César foi linda e magnífica, e certamente é digna de merecer tal classificação. E assim como o original de 68, é uma obra para ficar marcada na história. 

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