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Mamma Mia: não apenas mais uma vez e sim para sempre

Por Evandro Ferreira

Donna e Sophie. Foto: Divulgação

Em 1974 o grupo musical formado por Agnetha Fältskog, Björn Ulvaeus, Benny Andersson e Anni-Frid Lyngstad vencia o Festival Eurovisão da Canção com a música Waterloo, a balada pop fazia referência à histórica batalha de mesmo nome perdida pelo Imperador francês Napoleão Bonaparte. E com uma canção atemporal é que começava assim a longa história de sucesso do grupo ABBA - cujo nome é uma junção das iniciais do nome de cada um dos componentes da banda.

Essa história, que tem 46 anos, ainda sobrevive no imaginário e no ritmo de diversas pessoas mundo afora. A prova disso são os vários produtos midiáticos derivados das adaptações das letras da banda, sendo um dos mais notáveis o filme Mamma Mia - baseado em um musical de 1999, escrito por Catherine Johnson.

Com um hiato de dez anos desde lançamento do longa-metragem Mamma Mia! (2008), chega ao cinema mundial a continuação da história de Donna Sheridan. Para o delírio de vários fãs no mundo todo, o segundo filme já se encontra nas telonas, sendo intitulado de Mamma Mia: Lá Vamos Nós De Novo!

(A partir de agora o texto pode conter leves spoileres

O enredo desse segundo filme gira em torno da iniciativa de Sophie Sheridan, vivida por Amanda Seyfried, em dar continuidade ao sonho de sua mãe, interpretada por Meryl Streep, que foi o de construir um hotel em uma ilha grega. Com isso, o longa-metragem se divide entre o tempo atual e a vida da mãe da protagonista, mostrando os tempos de escola, a adolescência, a formação da banda Donna & the Dynamos que a matriarca fez parte.

Sophie Sheridan e amigas da sua mãe. Foto: Divulgação

Temos aqui um dos primeiros pontos negativos: a impressão que se tem é de ser preciso ver o primeiro filme da sequência para entender a narrativa geral do segundo. Embora as músicas e as micronarrativas consigam dar um certo nível de sustentação para a história, é perceptível a sensação de necessidade de se conhecer o todo.

No entanto, um dos acertos demonstrados ao longo dos 114 minutos de arte é o roteiro, que não deixa a desejar no sentido de ter dado uma outra dimensão ao que foi apresentado em 2008. Piadas inteligentes, personagens principais e secundários retornando com o mesmo grau de importância e diversos detalhes dos diálogos tornam a película um espetáculo muito bom de ser ver.

Lily James e a Banda Donna And The Dynamos. Foto: Divulgação

Outro acerto aqui é a sincronia plena entre atores da primeira e da segunda fase, que não se encontram fisicamente, mas se complementam de forma diferenciada e com poucos detalhes de caracterização. Entre os atores da primeira fase, o destaque é de Lily James que encarna a jovem, sonhadora e destemida Donna. É evidente que dar vida a uma personagem vivida pela lenda Meryl Streep não é fácil, mas a atriz de 29 anos deu conta do recado.

O consagrado musical segue a sua receita de sucesso e mais uma vez sustenta toda a ficção com as melodias do ABBA, então é possível curtir o filme ao som dos clássicos I Have A Dream, Mamma Mia, Waterloo, I’ve Been Waiting For You, entre outros. A colocação das músicas possui um efeito dúbio. A prova do encaixe perfeito entre história e canção é quando Donna e Sophie cantam juntas My Love, My Life no batismo de uma criança. A cena inclusive é extremamente emocionante e se torna um dos pontos altos do filme.

Cher. Foto: Divulgação

Uma presença de grande impacto é a da cantora Cher como Ruby Sheridan, a avó ausente que chega na festa de inauguração do hotel da família. No entanto, o dueto ao som de Fernando protagonizado por ela e pelo personagem Cienfuegos - gerente do hotel interpretado por Andy García - soa um pouco forçado e isso acontece por falta de uma contextualização mais elaborada da situação. O que acaba caindo no velho clichê preconceituoso de que em filmes musicais tudo se encaixa apenas cantando uma música. 

Com os cenários paradisíacos, diversas pequenas reviravoltas no enredo e com um humor inteligente, o filme se torna uma boa opção de entretenimento, tanto para o saudosismo dos antigos fãs, como também para as novas gerações. A prova disso é que, na quinta semana após a estreia, o lucro das bilheterias gira em torno dos 321 milhões de dólares no mundo todo. Esse com toda certeza é um daqueles filmes que você ri, dança e se emociona; um convite à uma viagem musical sem prescrição de idade.

E uma dica: quem quiser fazer um tour virtual pelos cenários do filme, pode entrar no site fictício do Hotel Bella Dona clicando aqui.

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