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GGCon aposta no desenvolvimento de jogos independentes do RN

“Eu acredito que Natal, se continuar crescendo na velocidade em que está, daqui a cinco ou dez anos será o maior polo do Brasil em desenvolvimento de jogos independentes” 

Por Guilherme Arnaud

A Good Game Convention de 2018 inovou o modo de fazer eventos de games, cultura pop e universo geek de Natal. Além de trazer os e-Sports mais famigerados da atualidade e até mesmo outras modalidades de menor abrangência, bem como competições e desfiles de cosplay, o evento ainda trouxe uma programação para quem pensa no mercado e no empreendedorismo. Uma das novidades foi o espaço GGIndie, dedicado para os desenvolvedores locais de jogos conversarem com o público, mostrar seus produtos e, ainda, receber o feedback sobre futuros lançamentos. A área foi ocupada através de uma parceria entre a organização da GGCon e o Potiguar Indie Games (PONG). 

O PONG é um grupo de desenvolvedores de jogos analógicos e digitais no Rio Grande do Norte, formado como uma espécie de coletivo de empresas. Reunindo-se mensalmente, o grupo “visa promover a divulgação e o teste de jogos em desenvolvimento, assim como a troca de informações relevantes à área e o estabelecimento de contatos profissionais” em encontros mensais, é o que aponta o site do grupo. 

GGIndie: espaço possibilitou que o público testasse jogos dos desenvolvedores locais. Foto: Guilherme Arnaud/Caderneta Nerd

Entre os desenvolvedores da PONG, estão Robson Marques e Tiago Fernando, sócios na Demerara Games. A empresa produz jogos digitais autorais, como o Sleight, que esteve na GGCon, e o Resonance, mas também é precursora no estado em desenvolvimento de jogos por demanda de outras companhias. Dessa forma, a Demerara não desenvolve jogos apenas como produtos próprios, mas também como serviços para outros setores. 

Assim como Robson e Tiago, Felipe Magno e Deyvison Silas são parte da PONG e da Oficina Lúdica, projeto voltado exclusivamente para jogos de tabuleiro. Na GGIndie, estiveram com um protótipo bastante interessante do Arcane Kitchen. A oportunidade foi ótima para testar a recepção do jogo e entender a melhor formatação antes de lançar a versão definitiva, com previsão para novembro de 2019. 

O tempo pode parecer muito, mas Felipe conta que primeiro é preciso conhecer pessoas de outros setores para desenvolver e lançar o jogo corretamente. Ele conta que, junto a Deyvison, tem o conhecimento da formatação do jogo e suas regras, mas não sabe, por exemplo, qual o melhor caminho para produzir as peças e tabuleiros do jogo ou até mesmo distribuir e vender. Oportunidades como o evento dão chance aos desenvolvedores divulgarem seus trabalhos e encontrarem pessoas de outros mercados. 

Ao tratar do cenário de jogos de tabuleiro, Felipe afirma que “O mercado brasileiro teve crescimento extraordinário nos últimos dois anos. Apareceram até dez editoras do último ano para cá, trazendo jogos internacionais, fazendo localização e lançando alguns jogos nacionais. Foram até quinze jogos de tabuleiro nacionais lançados”. 

Os jogos digitais não ficam de fora da curva ascendente. O Rio Grande do Norte, inclusive, é uma potência nessa área, como aponta Robson ao falar que “O RN está sendo o estado com crescimento mais acelerado na indústria de jogos. Por exemplo, há cinco anos não existia cenário aqui, não existiam desenvolvedores de jogos no estado. Já hoje, o PONG é referência para São Paulo”. Ele continua declarando que o grupo tem ganhado visibilidade inesperada: “São dois anos consecutivos com três jogos na BGS e que tiveram cobertura ampla na mídia especializada em games”. 

Robson Marques na Campus Party Natal, em abril de 2018. Foto: Clércio Rodrigues 

“Estamos conseguindo, com isso, uma visibilidade até inesperada da Prefeitura do Natal, que este mês realizará um evento de desenvolvimento de jogos com premiação em dinheiro”, aponta Robson. “Eu acredito que Natal, se continuar crescendo na velocidade em que está, daqui a cinco ou dez anos será o maior polo do Brasil em desenvolvimento de jogos independentes”, conclui. 

Quanto aos motivos que levam a cidade a esse patamar de desenvolvimento, Robson resume em duas palavras: “Estratégia e paixão”. Ele conta que mesmo quando não existia cenário para desenvolvimento de jogos no estado, os pioneiros começaram a formar grupos para se encontrarem e realizarem palestras mensalmente. 

“Nos outros estados o pessoal não faz com tanto afinco e nós temos uma paixão muito grande por desenvolvimento de jogos. Por isso vamos atrás de palestras de pessoas como Saulo Camarotti (Behold Studios), Felipe Dal Molin (Aquiris Games Studio), temos aqui em Natal uma série da Global Game Jam que é pelo PONG, temos parceria com SEBRAE… Tudo isso possibilita um ecossistema de crescimento aceleradíssimo no mercado local”, é o que Robson conta. 

Além da percepção do desenvolvedor, os números mostram um cenário otimista, que retroalimenta o mercado local a desenvolver jogos. “A galera se entusiasma e faz mesmo. Ano passado tínhamos quatro empresas, este ano já temos seis, com projeção de termos até 12 no ano que vem e quando não tiver mais espaço para crescer o número de empresas, irá crescer o porte das empresas”, finaliza.

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