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Sex Education é mais do que sobre educação sexual

Abrangente e mente aberta: o Caderneta Nerd fala sobre os temas que a série aborda e que fazem valer a pena assistir a mais nova produção original da Netflix


*Por Guilherme Arnaud

A Netflix começou 2019 com o pé direito. Sex Education é o mais novo lançamento original da plataforma. Criada por Laurie Nunn, a série está disponível no catálogo desde o último dia 11 de janeiro e tem repercutido positivamente na grande mídia.

Em resumo, o jovem Otis Milburn (Asa Butterfield) é filho de uma sexóloga um tanto quanto invasiva (Gillian Anderson). Ele e o amigo Eric (Ncuti Gatwa) têm dificuldades de iniciar a vida sexual.

Mesmo inexperiente, Otis dá um conselho sobre sexo para o valentão da escola e filho do diretor, Adam (Connor Swindells). A rebelde e esperta Maeve Wiley (Emma Mackey) percebe o talento do rapaz e vê a oportunidade de montar uma clínica para ajudar a confusa vida sexual dos estudantes da pacata Moordale (e para faturar uma grana, também).

Ottis (à direita) tem Eric (à esquerda) como seu único melhor amigo até a chegada de Maeve (centro) (Foto: Divulgação)

Ainda que essa seja a vitrine da série, ela não fala somente sobre isso. Na verdade, a educação sexual é apenas um dos muitos temas importantes abordados na produção, tanto que acaba se tornando um pano de fundo para questões mais delicadas.

Os oito episódios de quase uma hora são necessários para a criação do clima e aprofundamento dos personagens. Na verdade, a série surpreende na quantidade de questões e particularidades que consegue abranger. O roteiro tem tempo para cada personagem ser o que é esperado deles e o que realmente são.

As atuações são muito boas e o roteiro é cheio de cliffhangers que fazem maratonar, mesmo com a extensão razoável dos capítulos. A parte técnica também não sai por baixo. Apesar de não precisar jogar muito com câmeras, cores ou quadros, a imersão na verossimilhança da história é inevitável graças ao tom realista da fotografia e cenografia.

O Caderneta Nerd listou alguns dos temas abordados na série, que vale ser assistida para perceber as nuances e tons sobre os quais ela faz refletir. Ainda assim, a lista não consta todas as camadas que a Sex Education oferece.

Educação sexual


Óbvio. O nome diz isso. Além do mais, o que esperar de protagonistas na faixa dos 16-17 anos se não sexo? Nas ‘consultas’ da clínica, Otis dá dicas para seus ‘clientes’ sobre sexualidade e relacionamentos, principalmente sobre os problemas que os colegas trazem para o guru juvenil. Problemas esses que são comuns para o público alvo.

Além das dicas de Otis, a série também aborda o sexo na vida dos personagens principais e coadjuvantes. Os conselhos da clínica e as descobertas individuais sobre masturbação, autoestima, namoro, entre outros temas, servem como aprendizado (ou reforço) para o espectador.

Relacionamentos


A série trata de relacionamentos com afinco. Tanto nas dicas de Otis, que transcendem o sexo, quanto na construção da narrativa dos personagens.

São diversas as formas que a série trata sobre relacionamento na vida de diversos personagens. Amizade, amorosos, familiares e, ainda, relacionamento com si próprio são algumas das formas de se relacionar que a história mostra. Sempre de maneira problemática, mas para que se busque e se mostre possibilidades de soluções.

A produção não esquece do ciúmes: de forma sutil, a história mostra os personagens lidando de diferentes formas com esse sentimento polêmico que envolve, principalmente, relacionamentos amorosos.

Diversidade


Sex Education não narra uma odisseia de descobrimento e revelação da homossexualidade, mas parte da premissa de que pessoas simplesmente são homossexuais. Ponto.

Otis é heterossexual e isso não precisa ser dito para ser entendido. Eric é homossexual e isso também não precisa ser dito. Entendemos a homossexualidade do rapaz sem precisar que nos contem.

Um ponto interessante é que a série mostra um casal lésbico sem muita cerimônia. As mulheres são mães do atleta prodígio e líder estudantil da escola, Jackson (Kedar Williams-Stirling). Elas são introduzidas ao espectador com uma vida normal em uma casa bacana. Não há surpresa dos personagens. Eles não tocam no assunto “o Jackson tem duas mães”. Em Sex Education, isso é normal. Fora da série também deveria ser.

LGBTfobia



Eric enfrenta pressões internas e externas em relação a sua sexualidade e a série mostra como ele supera isso de forma excepcional. O pai religioso do garoto tem o pé atrás quanto ao estilo de vida do filho, mas sua evolução na história se dá no entendimento da sexualidade, o que melhora a relação entre os dois.

Pode parecer um pouco romântico demais que a série mostre um pai aceitando incondicionalmente a homossexualidade do filho, mas Sex Education é mais pé no chão do que cabeça nas nuvens quanto a isso. A realidade da violência física e moral contra os LGBTQI+ é mostrada na série de forma denunciativa.

Outra abordagem que a série traz sobre essa temática é o “descobrimento” da homossexualidade por parte de um personagem extremamente homofóbico. “Se alguém souber disso, eu mato você”, fala após fazer sexo com um gay assumido. Mais uma vez a arte imita a vida: por trás do preconceito, há uma pessoa que tem medo de sofrer com o que pratica.

O banheiro abandonado da escola serviu de ponta-pé para o início das consultas de Ottis. Na foto, ele aconselha o valentão Adam (Connor Swindells) (Foto: Divulgação)

Como dito, a lista não abrange tudo que Sex Education pode nos oferecer. A série trata com maturidade, humor e drama das questões recorrentes na juventude. Vale bastante a pena assistir.

Ainda é cedo para confirmar uma segunda temporada, mas a boa recepção e o orçamento acessível gera expectativas de uma continuação da trama.

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